ADOÇANTES: QUAL O MAIS INDICADO? POR LIBIA VIEIRA

Quando lançados, os adoçantes eram indicados apenas para pessoas diabéticas ou com restrições alimentares. Com o passar do tempo, passaram a ser usados também por quem deseja ingerir menos açúcar e controlar o peso. E se tornaram frequentes dúvidas como essas: quando e quanto usar?
Recomendo evitar ao máximo o uso de adoçantes, mesmo os mais naturais pois o uso desses produtos é mais uma questão de hábito do que de necessidade. Quando optamos pelo sabor natural dos alimentos estimulamos nosso paladar a esses sabores, e ele se adapta depois de um certo tempo, perdendo a necessidade de utilizar adoçantes, mas para isso é preciso diminuir consumo gradativamente até a completa aceitação do paladar.

Mas se tiver que escolher um tipo, oriento os mais naturais como xilitol, Steviosideo(stevia), sucralose, pois sofrem menor intervenção da indústria e de produtos químicos do que os outros , sendo assim mais “saudáveis”. Existem alguns artigos relacionando alguns adoçantes à maior incidência de câncer e obesidade, mas ainda não é comprovado e não há consenso sobre isso na literatura.

Abaixo cito os adoçantes mais utilizados e sua dosagem máxima recomendada ao dia:
Sacarina – primeira substancia adoçante sintética a ser descoberta (1878) extraída de um derivado do petróleo, o acido ciclo hexano sulfâmico, tem poder adoçante 500 vezes maior que a sacarose e é usada desde 1900. Em altas concentrações deixa sabor residual amargo e metálico, e não é metabolizada pelo organismo. È de fácil solubilidade e estável em altas temperaturas, podendo ser utilizado em preparações quentes. IDA ( Ingestão Diária Aceitável): 5 mg/Kg de peso corporal.

Ciclamato – descoberto em 1939, entrou no mercado a partir da década de 50. Como a sacarina, é edulcorante artificial largamente usado no setor alimentício, sendo aplicado em adoçantes de mesa, bebidas dietéticas, geleias, sorvetes, gelatinas, etc. Com o menor poder adoçante, é 40 vezes mais adoçante que a sacarose, não calórico e possui sabor agradável e semelhante ao açúcar refinado( apresentando um leve gosto residual). Absorve-se parcialmente no intestino, é eliminada pelos rins. Alguns indivíduos metabolizam uma pequena quantidade no intestino, pela ação da flora intestinal. Não perde a doçura quando submetido a altas/ baixas temperaturas e meio ácidos. Sinergético quando combinado com outros adoçantes de baixas calorias como acesulfame K, aspartame, neoesperidina, sacarina e sucralose. IDA ( Ingestão Diária Aceitável): 11 mg/kg de peso corporal.

Aspartame – edulcorante artificial descoberto em 1956, É uma proteína dissociada produzida a partir dos aminoácidos encontrados normalmente nos alimentos: fenilalanina e acido aspártico. Possui sabor agradável e semelhante ao açúcar branco, só que com o potencial adoçante 200 vezes maior, permitindo o uso de pequenas quantidades. Seu valor energético corresponde a 4 cal/g. Muito usado pela industria alimentícia, principalmente nos refrigerantes diet. Sensível ao calor, perde o seu poder adoçamento em altas temperaturas. A docura também poderá diminuir quando muito tempo armazenado. É contra indicado a portadores de fenilcetonuria, uma doença genética rara que provoca o acumulo de fenilalanina no organismo, causando retardo mental.
IDA: 40 mg/ Kg de peso corporal.

Acesulfame-k – criado em 1960, é o adoçante sintético de maior resistência ao armazenamento prolongado e a diferentes temperaturas.O Acesulfame-K é um sal de potássio sintético produzido a partir de um acido da família do acido acético. Adoça 130-200 vezes mais que a sacarose, seu gosto doce é percebido de imediato e em grandes doses deixa um leve sabor residual amargo. Pode ir ao fogo por ser estável a altas temperaturas. Não é calórico e nem metabolizado pelo organismo. Pode ser usado como adoçante de mesa e numa infinidade de produtos. Embora seja rapidamente absorvida, 995 da substancia é eliminada em 24 horas pela urina, de forma inalterada. IDA: 15mg/kg de peso corporal.

Steviosídeo – descoberto em 1905 e muito difundida no Japão, extraído da Stevia rebaudiana, planta originaria da Serra do Amambaí, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Das suas folhas se extrai o steviosídeo, edulcorante natural de sabor doce retardado com poder adoçante 300 vezes maior do que a sacarose. Tem boa estabilidade em altas ou baixas temperaturas. Pode ser consumida sem nenhuma contra-indicação por qualquer pessoa. Não produz caries, nem é calórica, tóxica, fermentável ou metabolizada pelo organismo. IDA: 5,5 mg/kg de peso corporal.

Sucralose – descoberta em 1976. Trata-se de um edulcorante sintético com poder adoçante 600 vezes maior do que a sacarose. Não é calórico e possui sabor agradável. Não é metabolizada pelo organismo, sendo eliminada por completo em 24 horas pela urina. Estável a temperaturas altas e baixas e em longos períodos de armazenamento. Pode ser usada como adoçante de mesa, em formulações secas( como refrescos e sobremesas instantâneas), em aromatizantes, conservantes, temperos, molhos prontos, compotas, etc. Não produz caries, alem de reduzir a produção de ácidos, responsáveis pela sua formação. IDA: 15 mg/kg de peso corporal.

Sorbitol – substância natural presente em algumas frutas, algas marinhas etc. Tem o poder edulcorante igual ao da sacarose e similar ao da glicose, não sendo aconselhável a pacientes obesos e diabéticos mal controlados. Calórico, fornece 4 cal/g e ao ser absorvido se transforma em frutose no organismo. A frutose é transformada em glicose no fígado, mas como o processo é lento, não altera significantemente a glicemia. Não provoca caries, não é tóxico e apresenta boa estabilidade. Resiste, sem perder seu potencial adoçante, a processos de aquecimento, evaporação e cozimento. Doses acima de 20 a 30 g/ dia produzem efeito diurético e acima de 30 a 70 g/dia causam diarréia. Em algumas pessoas esses efeitos ocorrem mesmo em doses baixas, como 10g/dia. O sorbitol( assim como o manitol e o xilitol) aumentam a perda de minerais pelo organismo, principalmente o cálcio, podendo também provocar a formação de cálculos.

Manitol – fornece 4 cal/g e sabor semelhante ao da sacarose, apresentando uma sensação refrescante na saliva, que aumenta quando associados ao aroma de menta. É considerado um dos melhores preventivos contra caries. Precaução: doses acima de 30g/dia podem provocar diarréia quando consumidos pela primeira vez. A OMS não estabeleceu um limite para a IDA e o FDA( USA) indica o consumo na quantidade necessária para o adoçamento desejado.

Xilitol – é um adoçante natural encontrado nas fibras de muitos vegetais, incluindo milho, framboesa, ameixa, entre outros. É produzido industrialmente a partir de fontes celulósicas como casca de árvores entre outros, obtendo-se como resultado um produto idêntico ao açúcar, porém, como é metabolizado independentemente da insulina, pode ser consumido sem restrições por diabéticos. Está disponível há mais de 20 anos no mercado da Europa e Escandinávia onde é empregado em uma variedade de produtos como alimentos, cosméticos.
Sua propriedade microbiológica o torna valioso como parte integrante de um programa de higiene oral. O XILITOL é o único entre os demais adoçantes substitutos do açúcar que realmente inibe sozinho o crescimento de Streptococcus mutans, com isto reduzindo a susceptibilidade à cárie. Além disso, o uso contínuo de xilitol ajudará a seleção de formas menos virulentas e resultará em uma microflora oral menos agressiva.
A capacidade do xilitol em reduzir a incidência de cárie dentária já foi demonstrada amplamente em numerosos campos de estudo, alguns realizados sob supervisão da WHO (World Health Organization). Assim como todos os outros adoçantes, o xilitol pode provocar um efeito laxativo leve quando consumido acima de 25g / dia.

Frutose – é um edulcorante natural, de sabor agradável e extraído das frutas e do mel. Contem 4 cal/g. Estudos recentes comprovam que a frutose, quando ingerida junto das refeições não altera a glicemia. Quando submetida ao calor a frutose derrete, porem mantém o seu sabor. É uma vez e meia mais doce que a sacarose, com o poder de adoçamento 173 vezes maior. Excesso de frutose pode causar aumento de triglicerídeos e pessoas com problemas no metabolismo de lípides e gorduras devem evitar o consumo desse edulcorante. Estudos comprovam que o uso por tempo prolongado dificulta a absorção do cobre, mineral importante na síntese da hemoglobina (responsável pela pigmentação dos glóbulos vermelhos).

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