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GORDURA HIDROGENADA: O PERIGO MORA AO LADO! POR LÍBIA VIEIRA

A gordura hidrogenada é obtida através da hidrogenação industrial de óleos vegetais (que são líquidos à temperatura ambiente), formando uma gordura de consistência mais firme. Por suas características, ela melhora a palatabilidade e textura, e aumenta a vida de prateleira dos produtos, por isso é muito utilizada na indústria. A gordura hidrogenada também é usada por redes de fast-food e restaurantes para frituras.Produtos como margarinas, sorvetes cremosos, biscoitos, bolos, tortas, pães, salgadinhos, pipoca de micro-ondas, bombons, e tudo mais que contenha gordura hidrogenada, são fontes de gordura trans.

 

No Brasil, a partir do segundo semestre de 2006, as empresas foram obrigadas a declarar a quantidade de gordura trans no rótulo, de acordo com a resolução da Anvisa (RDC 360/2003). Poucos produtos já foram reformulados a fim de eliminar essa gordura de sua composição. Apesar da resolução que obriga os fabricantes de alimentos industrializados a declarar a quantidade de gordura trans em seus produtos, as indústrias usam uma brecha técnica para continuar a vender produtos com gordura trans e ao mesmo tempo utilizar selos e “splashes” em suas embalagens declarando-os com “0% de gordura trans”. É comum você ver estampada a alegação “Não contém…”, “Livre de…”, “Zero % de…”, “Isento de…” ou similar. Isso porque descobriu-se que a gordura trans é inimiga da boa saúde. Isso permite que o próprio fabricante arbitrariamente escolha qual o tamanho de 1 porção de seu produto para que a quantidade de gorduras trans por porção fique abaixo de 0,2g. Um fabricante de biscoitos, por exemplo, pode imprimir em sua tabela nutricional que os valores de 1 porção equivalem a 1/2 biscoito, e assim induzir o consumidor a acreditar que esse produto não contém nenhuma gordura trans.

 

Uma maneira segura de comprovar a adição de gordura trans é a leitura da lista de ingredientes do alimento. Se contiver gordura vegetal hidrogenada, ou gordura vegetal, certamente contém gordura trans. A Anvisa não exige mais (2008) que os fabricantes grafem gordura vegetal hidrogenada por extenso nas embalagens, permitindo que ela seja indicada apenas como gordura vegetal.

 

E o que ela faz com a saúde ?

Eleva os níveis de LDL-colesterol (colesterol “ruim”) e diminui os de HDL-colesterol (colesterol “bom”), apresentando, então, um efeito pior sobre os níveis de lipoproteínas sanguíneas do que o das gorduras saturadas, que apenas elevam o LDL-c. O mecanismo de ação ainda não está claro, mas especula-se que as gorduras trans transfiram os ésteres de colesterol do HDL para o LDL, e ainda diminuam a ação dos receptores de LDL, aumentando sua presença na circulação sanguínea. Em comparação com os ácidos graxos mono e poliinsaturados, os trans elevam também os níveis de triglicérides de jejum . Além disso, vários estudos demonstram também a capacidade pró-inflamatória dos ácidos graxos trans, uma vez que elevam os níveis de TNF-α, interleucina-6 (IL-6) e proteína-C reativa (PCR), todos substâncias que facilitam o processo inflamatório e estão aumentadas no nosso organismo quando o mesmo se instala.

A associação das propriedades expostas acima é potencialmente perigosa para o sistema cardiovascular por induzir a ocorrência de aterosclerose, doença cardiovascular de maior ocorrência mundial. As placas ateroscleróticas,  podem obstruir a passagem sanguínea, tendo como possíveis conseqüências, por exemplo, a trombose, o infarto do miocárdio, e o acidente vascular cerebral. Além disso, a piora no quadro de resistência à insulina tem sido mais um efeito atribuído aos ácidos graxos trans, particularmente em indivíduos que apresentam fatores de risco, como a resistência à insulina pré-existente, adiposidade visceral ou sedentarismo, agravando uma situação de Síndrome Metabólica à qual tais indivíduos já estão predispostos.

 

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